• Tânia Bischoff

Love, Death and Robots: uma série que desperta o diferente em nós

Atualizado: 9 de Mai de 2019

Esta semana fui apresentada a uma série que considero um presente da Netflix, chamada Love, Death and Robots. Antes de começar a escrever, pesquisei no Google o que já comentaram sobre a mesma e resolvi arriscar-me e dar os meus pitacos sobre a produção.


É uma série do hoje — o visual game está todo tempo presente. As cores, a velocidade e o tempo, esta coisa que a cada dia fico me perguntando: como se faz tempo? Na série, são 18 episódios que variam de 6 a 18 minutos. Os comentários estéticos sobre a série não arrisco a escrever, até porque eles estão muito bem analisados pelos experts na área de design e cinema. Porém, como estudiosa do humano nos dias de hoje, Love, Death and Robots é um presente para pensar o que vai pelos nossos corpos: velocidade, emoções inusitadas, atravessadas por lógicas e coisas por vezes ilógicas, absurdas all the time e que, em alguma dimensão emocional, ética e estética, tem todo o sentido para o expectador ativo, ou seja, eu, você, ele, o outro, mas jamais o nós.


É uma série que desperta o diferente em nós, que é só da gente...

São histórias independentes, mas ouso dizer que, para quem assiste, elas são interdependentes. Tem um fluxo randomizado, grama, sem pontas certas, mas com várias conexões que produzem ou criam algo que fica no plano do sentir. Não estou preocupada em nominar o que acontece com o corpo, porque, às vezes o inominável é bem mais interessante, mas dá vontade de ficar assistindo, imergindo na série, ora rindo, ora ficando incomodado, ora ficando com medo — e o mais doido, quando a gente percebe, está filosofando e, sob certa perspectiva, dando um sentido ao viver presente. Então, o “corpo eu” emerge diferente. 


Parece complicado e sem nexo, parece coisa que não tem início, meio e fim, que não tem sentido. Sim, este é o sentido: a ausência dele, tão presente em nossos dias quando nos deparamos com vidas que chegam, vidas que partem de formas absurdas, líderes malucos, líderes do bem, natureza em ebulição, descobertas científicas, inovações, tecnologias... E o fio condutor nos dias de hoje — que nos mantém no humano — o amor, junto da morte e a técnica (tecnologia, robôs).


Não estou pirando. Para tentar ser tão viajante segue um spoiler de um dos episódios: Era do Gelo.



O episódio pode soar simplista em sua execução, mas traz uma observação interessante sobre a nossa percepção como sociedade, nossa interpretação e um exercício chamativo de escalas e proporções. Sendo o único episódio com atores (Topher Grace e Mary Elizabeth Winstead já deveriam atrair o espectador por si só), mas a trama chamativa dá conta do recado.


Afinal, quem não gostaria de observar a evolução de uma sociedade em sua geladeira? 

Se ainda está em dúvida para ingressar na série, assista a esse episódio. É absurdo, surreal, porém, dá o recado que a gente pode muito, basta prestar atenção e não querer ficar assistindo o mundo passar pelos nossos olhos... Podemos iniciar, desenvolver, destruir, começar e ser com e no mundo.


Ao leitor, peço a compreensão pelo devaneio na escrita, mas neste tempo é o que consigo colocar em palavras — mas virão outros textos, afinal, como não escrever sobre cats e robots tendo como pano de fundo a gameficação, a ficção científica e a animação?

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©2019 TÂNIA BISCHOFF por YOW.