©2019 TÂNIA BISCHOFF por YOW.

  • Tânia Bischoff

Vida de Professor

Nos últimos anos, a vivência acadêmica basicamente foi direcionada para cursos em MBA. Há 3 anos, finalizei o doutorado em Informática na Educação com a tese: o aprender como acontecimento em ambientes virtuais de aprendizagem. Fazer o doutorado aos 50 anos, por uma pressão exclusivamente pessoal, já anunciava o propósito de fazer diferente o mesmo, afinal, tenho mais uns 25 anos de trabalho divertido por vir.


Voltando ao ano de 2018, trabalho em uma instituição de ensino que forma estudantes para o mercado, para o mundo, para fazerem a diferença e, porque não, para mudarem o mesmo. Como formadora, ou professora, ou tutora, ou facilitadora, ou mestre, vivo a Academia com o constante questionamento: o que é uma sala de aula? O que faço com os estudantes? Como articular diferentes os propósitos: academia, estudantes, conteúdo, aprendizado, coordenações, diretrizes e tantas outras forças que compõe o trabalho em sala de aula?


A única certeza que carrego é que não tenho respostas. Tenho desejos, projetos ou qualquer palavra da moda que algum guru inventou, para expressar quase sempre o mesmo. 


O não sei que carrego em mim é o meu maior conhecimento.

Em março, junto com os estudantes, o semestre foi se fazendo acontecimento a cada encontro. Cada turma com o seu jeito na forma como se relacionam, nas histórias vividas, nas motivações pessoais, no contexto em que estamos imersos e pela relação e vínculo que estabelecemos. Eu, ainda sem a resposta do que é uma aula, convivendo com o não sei...


Turmas diferentes, mas o mesmo conteúdo... então, a certeza de que vou fazer o mesmo do mesmo, privilegiando as diferenças. Ops! Um não sei já respondi! Em outubro de 2018, alguns não sei já consegui dar um encaminhamento de respostas, outros estou vivendo e aprendendo. Bem, em rápidas “pinceladas”, o que já sei de do pessoal que tem aula à noite:


- Estão cansados em aula, são hiper conectados com o trabalho, família, amores, jogos, notícias, qualquer coisa - menos a disciplina. Evidente que há exceções, mas é com essas forças que o professor precisa trabalhar.

- O produto no mercado de trabalho são as pessoas e o que elas entregam, então como identificar e constantemente formar o produto/pessoa para continuar entregando com elevada excelência? É essa problematização que preciso bater bola em sala de aula com o estudante! Como fazer?

- Se for fazer uma imagem, é como estivéssemos em uma festa com globo de espelhos girando, refletindo as luzes. A cada luz refletida que vai passando entre nós, algumas fazem sentido de formas e intensidades diferentes... despertam desejos, necessidades, nos fazem ingressar no flow e então, produzimos algo bacana. Ou não.

- Se dar aula é isso, socorro!, como conversar com uma galera que vivencia isso todo o dia e, quando senta na cadeira da velha sala de aula, a maioria, entra no flow do relaxar: “agora não preciso ser um produto a ser adquirido, agora sou eu que adquiro o produto, quero aprender, seja lá o que for, da forma mais light possível...” Isso é possível?


Dá para a gente ser algo sem pensar, sem produzir desvio do que já está ali, como dado e naturalizado? Pensar é fazer diferente, é fazer desvio.


E pensar às vezes dói.

Com esta emoção de compromisso em ter que passar o conteúdo prescrito e da dúvida do que é uma sala de aula, chego aqui e constato que a gente produz e aprende algo é no coletivo. Então, que venham as salas de aula com os não sei mais poderosos dos sei que a gente pode produzir...

3 visualizações